As reformas de Macron

Eleito em maio de 2017, o centrista Emmanuel Macron é o mais novo Chefe de Estado desde Napoleão, e seu governo é regido de constantes polêmicas políticas e alterações em áreas valorizadas pelos franceses, como educação e benefícios trabalhistas. Eleito para presidente com 66,05% dos votos, sua popularidade sofreu grandes oscilações no último ano, assim como a de seu braço direito, o primeiro-ministro Édouard Philippe, dado a delicadeza dos temas abordados.  O atual presidente tentou cumprir o que foi prometido em sua campanha, mas foi grande alvo de críticas em 2017, devido o vasto número de alterações que projetou nas mais distintas áreas do controle público.

Durante o primeiro semestre de seu mandato, Macron foi criticado por ser o “presidente dos ricos”, pois extinguiu o Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna (ISF), tarifa que incide sobre bens e aplicações financeiras, que visa redistribuir o dinheiro dos mais ricos através de benefícios sociais.  Tal mudança foi procura atrair investidores e evitar exílio fiscal de potenciais empreendedores, mas deixou de arrecadar quase 4 bilhões de euros.

A popularidade do atual presidente variou demasiadamente nos últimos meses, dado que oscilou de 36% até 52% em 4 meses, devido a sua habilidade na política externa. Um dos seus principais projetos, aprovado pelo Parlamento francês em 2017, foi a lei da moralização política. O texto inclui a supressão da “reserva parlamentar”, suporte financeiro que parlamentares utilizavam para financiar projetos locais, além da proibição da contratação de cônjuges e familiares por deputados e representantes locais.

Com uma proposta ambiciosa, Emmanuel Macron pretende privatizar a SNCF, autoridade ferroviária do país. A necessidade de transformar a estatal francesa em uma empresa lucrativa é alta, visto que seu monopólio acaba em 2020, fora a dívida de 46 bilhões de euros que ameaça o sistema ferroviário. A França enfrenta uma onda de greves de sindicatos franceses, pois as medidas preveem o fim do estatuto exclusivo de aposentadorias, fim da estabilidade e a extinção de alguns benefícios considerados vantajosos em relação ao regime geral dos trabalhadores.

Além da greve dos sindicalistas, diversos estudantes se manifestam contra o projeto de alteração das condições de ingresso às universidades francesas, que pretende implementar um sistema de seleção mais restrito, já que o nível de desistência é muito alto e as exigências de mercado aumentam. Para os estudantes, que ocupam escolas e ruas há mais de um mês, a proposta vai fazer com que a inscrição se transforme num processo seletivo discriminatório que vai aumentar desigualdade social francesa.

Texto de José Guglielmi, graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e trainee da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV

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