Boletim CJE – 11/03

Panorama Brasil

As projeções para a economia brasileira em 2018 são de retomada, com redução das taxas de desemprego, redução das taxas de juros e inflação controlada. Apesar do crescimento do PIB no quarto trimestre ter sido abaixo das expectativas de mercado, de 0,1%, o investimento apresentou crescimento bastante expressivo, de 2%, contra o trimestre anterior, em sequência ao resultado também alto do terceiro trimestre, de 1,8%. A indústria e os serviços seguem em recuperação, com destaque para a indústria de transformação e os serviços de transporte. A agropecuária, finalmente, que ao longo do ano passado contribuiu com 0,6 ponto para o crescimento de 1,1% do PIB, apresentou estabilidade, já antecipando desempenho bem menos exuberante em 2018 do que no ano passado.

O saldo da balança comercial encerrou 2017 em superávit de US$ 67 bilhões, o maior resultado positivo da história. Além disso, fevereiro também encerrou com o maior superávit para o mês em 30 anos. O mercado estima um superávit menor em 2018 motivado principalmente pela recuperação da economia, que reativa o consumo e as importações. Oficialmente, o Mdic estima superávit de US$ 50 bilhões neste ano.

O início de recuperação da atividade econômica foi acompanhado de uma melhora modesta no padrão de vida do brasileiro. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresceu apenas 0,2% em 2017. Foi o primeiro aumento em base anual desde 2013. Porém, o brasileiro ainda vai esperar, quatro anos para recuperar o padrão alcançado no período pré-crise. A projeção de crescimento do PIB é de 3% em 2018, um ritmo bastante robusto. No entanto, economistas acreditam que é possível atingi-lo, pois o crédito ao consumidor está se recuperando de forma rápida e a queda das taxas de juros proporcionou um barateamento do serviço da dívida, de modo que está sobrando mais renda no bolso dos consumidores; o mercado de trabalho vem melhorando, com crescimento da população empregada e dos salários reais; e a queda da taxa de juros também barateou o investimento e melhorou as  taxas de retorno esperadas.

No âmbito político, o presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta quinta-feira, em entrevista à Rádio Tupi AM, que decidiu priorizar a questão da segurança, principalmente do RJ, em detrimento da reforma da Previdência. De acordo com o presidente, o seu governo já atingiu progresso e, agora, é preciso pôr ordem no país, que começa pelo fenômeno da segurança pública. Ele também afirmou que não desistiu da reforma da Previdência e que ela pode ser votada em seu governo ou em outro.

Questionado sobre seu interesse nas eleições deste ano, Temer repetiu que, se passar pela história como “alguém que deu jeito no país”, está feliz.

Também nesta semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a inclusão de Temer no inquérito da Operação Lava-Jato a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para quem o presidente pode ser investigado mesmo que por atos anteriores ao mandato, pelo suposto recebimento de recursos ilícitos da Odebrecht como contrapartida ao atendimento de interesses do grupo na Secretaria de Aviação Civil. Segundo o ministro, a Constituição impede que o presidente seja responsabilizado, mas não investigado por fatos anteriores ao mandato.

Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou a declarar que o Brasil está em rota consistente de crescimento econômico e de estabilidade. “Nossa previsão é que 2,5 milhões de pessoas conseguirão emprego em 2018. Um aumento para 93 milhões de pessoas trabalhando. Com o tempo todos vão sentir os efeitos da inflação baixa, do emprego e do Brasil crescendo”, declarou o ministro. Meirelles, também defendeu a privatização da Eletrobrás e disse que a reforma trabalhista tem o potencial de gerar seis milhões de empregos “em poucos anos”, mas o ministro não detalhou essa projeção.

Ainda enfrentamos forte incerteza, principalmente em relação ao resultado das eleições neste ano. No entanto, o bom desempenho corrente da economia já garante, de certa forma, um crescimento moderado do consumo e do investimento em 2018.

 

Panorama Mundo

Na quinta-feira (1), Trump ameaçou impor uma tarifa de 25% sobre importações de aço e 10% sobre o alumínio, sem isenções para qualquer país. Nesta sexta-feira (2), os mercados de ações dos Estados Unidos reagiram aos temores de uma guerra comercial após o anúncio de Donald Trump sobre a taxação sobre as importações de aço e alumínio. No pregão da semana, o S&P 500 caiu 2%, enquanto Dow Jones recuou 3% e o Nasdaq perdeu 1%. Segundo o porta-voz do FMI, Gerry Rice, “as restrições de importações anunciadas pelo presidente americano podem causar danos não apenas fora dos Estados Unidos, mas para a própria economia americana”.

As principais bolsas da Europa registraram perdas ao longo de todo o pregão desta quinta-feira (1), e fecharam em forte baixa, enquanto investidores mantinham cautela sobre o segundo depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, ao Congresso dos Estados Unidos, em busca de sinalizações mais claras sobre a política monetária do país ao longo de 2018. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 0,71% a 379,63 pontos, com o FTSE 100, referência da bolsa de Londres, em baixa de 0,69%, a 7.231,91 pontos, o DAX, de Frankfurt, recuando 0,44%, a 12.435,00, e o CAC 40, de Paris, caindo 0,44% a 5.357,06 pontos. Na Alemanha, a primeira-ministra, Angela Merkel aguarda pelo resultado do voto interno no Partido Social Democrata para ver se grupo concorda em formar uma coalizão com seu partido conservador e assim formar um novo governo. Na Itália, as eleições terminaram sem que nenhum partido conseguisse maioria suficiente para formar um governo. Agora, depende das tentativas dos partidos de formarem alianças para que os italianos não precisem voltar às urnas. Na última quarta-feira (28) foi feita uma revisão do crescimento econômico da França em 2017. A economia francesa cresceu 2%, em vez de 1,9% como informado. Também na quarta-feira, a agência Insee mostrou que o índice de preços ao consumidor na França caiu 0,05% em fevereiro.

Os mercados acionários da Ásia registraram fortes ganhos nesta terça-feira, graças ao crescimento da oposição à intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar as tarifas de importação do aço e alumínio. A falta de detalhes e o recuo de alguns republicanos influentes contribuíram para acalmar os investidores, levando os índices Dow Jones e S&P 500, a fechar em alta de 1,3% e 1,10% respectivamente. O índice Nikkei, de Tóquio, fechou em alta de 1,79%, aos 21.417,76 pontos. Em Xangai Composto avançou 1% para 3.289,64 pontos. A China estabeleceu a meta de crescimento de seu PIB em torno de 6,5% para o ano de 2018. O primeiro-ministro da China, Li Keqiang, falou no Congresso Nacional do Povo sobre a determinação de Pequim  em controlar a dívida pública, reestruturar o setor público e abrir ainda mais o mercado ao capital externo, mas não deu indicações de como tudo isso será feito.

 

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