Brasil e a busca por um posicionamento internacional

A balança comercial, termo que representa as importações e exportações de bens entre países, é um importante indicador do desenvolvimento econômico de cada país. Para compreender o andamento da economia brasileira e das suas relações comerciais com os demais países, cabe analisar os resultados da sua balança comercial com o passar dos meses.

No cenário brasileiro, notou-se um superávit da balança desde o início do ano, ou seja, um saldo positivo da diferença entre as suas exportações e importações, evidenciando que o país arrecadou mais com exportações do que gastou com importações. Em janeiro, o superávit foi de US$ 2,768 bilhões. Já em fevereiro, tal índice chegou a valer US$ 4,907 bilhões. Tal saldo para março teve o valor de US$ 798 milhões. E para o mês de abril, o Banco Central, uma das principais autoridades monetárias do país, prevê um superávit da balança de U$S 1,5 bilhão.

Analisando as relações comerciais internacionais brasileiras desde o início do ano, que contribuíram diretamente para os valores encontrados pelo Banco Central, nota-se o envolvimento do país com a União Europeia, a América Latina e os Estados Unidos.

Com relação à União Europeia, houve, no dia 19 de abril, a declaração por parte do bloco econômico da proibição de 20 estabelecimentos brasileiros em exportar carne e similares para o bloco, alegando dificuldades brasileiras na realização de um controle sanitário efetivo. Dentre esses 20 estabelecimentos, tem-se 12 frigoríficos da BR Foods e 8 de outras empresas. Pelo fato da União Europeia ser a principal compradora de frango do Brasil, o país prevê uma sobre-oferta de frango, que implicará em uma queda de preços e uma demissão de funcionários atuantes nesse setor, que, atualmente, já se encontram em férias coletivas.

Tal decreto, segundo Ricardo Santin, vice-presidente de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), implicará em uma redução em 30% do volume exportado para o bloco, que não será recuperado pela venda no mercado interno, já que a sua demanda é baixa. Já foi evidente uma queda nas exportações de pescado para o primeiro trimestre do ano devido à determinação do governo de suspender a emissão de certificação sanitária internacional para pescados brasileiros destinados à União Europeia. A fim de reverter tal cenário, o Brasil, segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para lutar contra o descredenciamento proposto pela União Europeia.

Outra relação que envolve o Brasil e a União Europeia é uma tentativa do bloco em firmar um acordo comercial com o Mercosul. Este ainda não foi fechado devido às baixas cotas de importação de carne e de etanol estabelecidas pela União Europeia. Entretanto, há previsões de que o acordo seja consolidado até o meio do ano.

Notou-se, entretanto, um aumento da urgência para firmar o acordo em questão, justificado pelo decreto feito por Donald Trump no final de fevereiro alegando que os Estados Unidos aplicariam taxas de importação de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio, a fim de proteger os produtores nacionais. O Brasil, como segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, sofreria grandes prejuízos com tal decisão.

Em abril, todavia, Temer afirmou ter recebido uma mensagem da Casa Branca alegando que o Brasil seria excluído das tarifas enquanto negocia com Washington sobre isenção das sobretaxas, porém o governo norte-americano não confirmou tal isenção temporária. Tal decreto norte-americano levou o Brasil a também iniciar negociações sobre possíveis acordos comerciais com o Reino Unido e com o já existente acordo Transpacífico, segundo o ministro da fazenda Henrique Meirelles.

No âmbito da América Latina, tem-se a suspensão do país, juntamente com a Argentina, o Paraguai, a Colômbia, o Chile e o Peru, por tempo indefinido da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Tal suspensão deve-se à cobrança por parte desses países em indicar como novo secretário-geral o embaixador argentino José Octávio Bordón. Tal indicação, por não ter o apoio de todos os membros do bloco, tornou o bloco inativo, dividindo-o entre conservadores, representados pelos países que foram suspensos do bloco, e bolivarianos, compostos pelos demais países membros (Uruguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Suriname e Venezuela). Tem-se especulações de que a Venezuela seja a responsável pelo bloqueio da nomeação do Bordón como novo secretário-geral, todavia não houve um consenso para a suspensão da Venezuela do bloco.

Ademais, nota-se uma intenção por parte do atual presidente Michel Temer em estabelecer um acordo de livre comércio com o Chile, que havia sido proposto anteriormente pelo presidente chileno Sebastián Piñera. O Brasil atualmente já é o maior parceiro comercial da região da América do Sul para o Chile, enquanto que o Chile é o segundo maior parceiro comercial do Brasil na região. Tal acordo, então, seria responsável por fortalecer o vínculo entre os países e impulsionar a economia de ambos.

Analisando as relações comerciais de 2018 que envolvem o Brasil e o exterior, observa-se que o país visa posicionar-se internacionalmente, buscando acordos com diferentes blocos econômicos para o fortalecimento de sua economia. Apesar da imposição de restrições para a exportação brasileira por parte de alguns países, notou-se que o Brasil buscou a eliminação de tais restrições afim de impulsionar a sua economia. Por tais motivos, os superávits evidenciados são justificáveis, apesar destes estarem abaixo do esperado em cada mês pelo Banco Central.

Texto de Aisha Campos Jinsi, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e trainee da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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