Brasil: um jogo de War

Há tempos que o Brasil se mostra como um grande tabuleiro de War, onde diversos inimigos entre si montam suas estratégias para derrubar uns aos outros e conquistar a maior quantidade de territórios possíveis. No dia 5 de abril de 2018, Luiz Inácio Lula da Silva foi preso e iniciou o cumprimento de sua pena de 12 anos e 1 mês, e esse fato foi decisivo para os outros pré-candidatos começarem a montar suas estratégias para conquistar todo o território que Lula tinha em mãos.

Em meio a prisão do ex-presidente, a esquerda se enfraquece em virtude da ausência de uma identidade forte apresentada anteriormente por Luís Inácio. Com isso, há fortes tendências que as intenções de voto do petista se alinhem a um pré-candidato voltado para a agenda reformista.

Com essa decisão do STF, o cenário político encontra-se conturbado, e 12 nomes foram listados para a pré-candidatura à presidência da República. São eles: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Fernando Collor de Mello (PTC), Flávio Rocha (PRB), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (Novo), José Maria Eymael (PSDC), Joaquim Barbosa (PSB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Manuela D´Ávila (PCDOB), Marina Silva (Rede), Michel Temer (MDB), Rodrigo Maia (DEM). Diante disso, os destaques do panorama eleitoral se voltam para Lula, Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin

Em um primeiro momento, a decisão do PT para a cabeça de sua chapa presidencial parecia irredutível, porém a prisão do ex-presidente começa a transformar a discussão em algo pautável, já que sua ida à prisão ocorreu por conta da negação do habeas corpus e sua inelegibilidade está associada à Lei da Ficha Limpa. Diante dos 6 votos contra os 5 vencidos, é indubitável que a esquerda se enfraquece, pois, como apresentado pelo cientista político Carlos Melo, professor do Insper, ela terá que ir à procura de um novo rosto, porém não se sabe se isso ocorrerá de maneira concentrada em um único indivíduo ou se se dispersará entre 3 ou 4 nomes. Sem Lula na disputa e com possibilidades reduzidas de ele transferir sua popularidade a um candidato de esquerda, a tendência é que os votantes desse pré-candidato se voltem para um outro alinhado à agenda reformista. Tal leitura contribuiu para uma alavancada no mercado financeiro, fazendo com que o dólar baixasse e o Ibovespa, índice das ações mais cotadas da bolsa, subisse.

Assim, o partido dos trabalhadores inicia um processo de alternativa com algumas opções. A primeira delas, para o caso de o partido não encabeçar uma chapa, é a construção de uma aliança com Ciro Gomes, o qual possui indisposições com o PT em virtude da distância entre o candidato e o partido na fase mais crítica da Lava Jato, operação para apurar corrupção e lavagem de dinheiro que movimentou propina. Além disso, uma possível chapa com Joaquim Barbosa na cabeça e Haddad vice, tampouco foi descartada, já que o ex-ministro condiz com atributos do ex-presidente com os quais os eleitores se identificam.

Em contrapartida à esquerda, um dos maiores beneficiários com a exclusão do ex-presidente Lula na corrida presidencial pode ser Jair Bolsonaro, já que em simulações sem a presença de Lula, ele se mostra como primeiro colocado. O candidato do PSL se mostrou com um espírito altamente competitivo após a prisão do concorrente. Em um vídeo gravado em seu gabinete na Câmara, ele diz: “O Brasil marcou um gol contra a impunidade e contra a corrupção, mas é apenas um gol. O inimigo não está ainda eliminado”. Bolsonaro possui um discurso conservador e polarizador e defende um “presidente que não divida a sociedade”. Entre suas outras bandeiras estão a liberação do porte de armas de fogo e a privatização com critérios de grande parte das estatais.

Outro candidato que aparece com uma porcentagem ligeiramente alta é Geraldo Alckmin, que tenta novas alianças entre seu partido, PSDB, com o PSD e o PSC. O governador procura apoio em candidatos para o governo de estados como Bahia, Ceará e Amazonas, para que possa haver uma troca de ajudas, pois, segundo ele, “Você precisa de aliança para governar [e] para fazer uma agenda de reformas. [Portanto,] os palanques estaduais são importantes”. Além disso, o governador mostra-se otimista com relação à diminuição do número de pré-candidatos, pois é o dito por ele quando o assunto se refere à procura de apoio em um partido que já apresenta um concorrente, PSC com Paulo Rebello de Costa. Nada indica que com Lula preso, Alckmin seja beneficiado ou não, porém, a tendência para a eleição de um candidato de ala centro-direita se mantém.

Portanto, os jogadores do War brasileiro montam suas estratégias para a conquista de territórios eleitorais, enquanto o “player” PT tenta se recuperar depois da decisão do STF. Para isso, apostam em novas alianças e fazem uma listagem de opções para chapa, sendo elas: Ciro Gomes, Joaquim Barbosa e Haddad. Já o lado direito do jogo, possui o conhecimento de que a exclusão do ex-presidente Lula das eleições 2018 favorece a opção por um candidato reformista, uma vez que a esquerda se encontra enfraquecida. Sendo assim, é possível que eles disparem nas intenções de voto.

Texto de Juliana Peronti, graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e trainee da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV

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