A disputa de Trump e Xi Jinping

No dia 22 de março de 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou medidas comerciais contra um dos seus principais importadores e concorrentes, a China. Trump assinou um memorando que poderá levar o país a impor tarifas sobre US$ 60 bilhões em produtos de tecnologia importados da China. Os EUA alegam que o mesmo vem roubando propriedades intelectuais da potência mundial e, segundo Donald Trump, a medida é apenas “uma fração do que estamos falando”. A China respondeu às medidas com reciprocidade e isso gerou uma incerteza generalizada em relação ao cenário econômico de ambos. Os Estados Unidos e a China estão se preparando para uma potencial Guerra Comercial com uma retórica pesada.

A primeira ameaça por parte dos Estados Unidos contra a segunda maior potência econômica mundial foi a aprovação da Reforma Tributária de Donald Trump. A reforma tem como um dos principais objetivos estabelecer um cenário mais atraente para se investir no país, dessa forma, o governo decidiu cortar seus impostos – pessoas jurídicas terão o imposto de renda reduzido de 35% para 21% -, gerando, assim, uma maior competitividade e estimulando a economia do país. Há controversas a respeito da reforma, a dívida pública irá crescer ao longo dos anos e a mesma tende a beneficiar apenas milionários. Para China, a Reforma Tributária é uma grande ameaça. Com o grande incentivo de voltar os investimentos para dentro dos EUA, empresas que possuem parte de suas produções em países emergentes, como a China, tendem a sair dos menos desenvolvidos e voltar ao seu país de origem. Portanto, a segunda maior potencia mundial corre grandes riscos de perder multinacionais e, consequentemente, perder sua força na economia. A Apple é um exemplo desse fenômeno, a maior empresa do mundo tende a voltar seus investimentos do exterior para o país afim de trazer os lucros auferidos para os EUA. Com o intuito de tentar converter essa situação, a China veio a tomar medidas econômicas como a elevação da taxa de juros, aperto dos controles de capital e intensificação da intervenção cambial – tentativa de manter o dinheiro em casa e dar sustentação ao Yuan.

Outra ameaça para a China feita pelos Estados Unidos foi a sobretaxa de aço e alumínio importados para o país. Trump elevou a taxa para 25% nas importações de aço e 10% nas de alumínio e alegou a necessidade de proteger a indústria americana por razão de segurança nacional – o aço é necessário para produção de equipamentos militar. Tal tarifa prejudica a maioria dos países que fazem esse tipo de comércio com os EUA, entre eles a China e o Brasil, entretanto a maior potência mundial voltou atrás na sua decisão para alguns países e o Brasil foi isento desse aumento. Acredita-se que essa medida foi tomada visando principalmente a China que já diminuiu enormemente suas exportações para o país devido as taxas antidumping – taxas que visam dificultar a prática de exportar um produto a preços inferiores ao praticado no mercado interno do país exportador. Portanto, é claro que o presidente Trump está articulando a economia estadunidense contra a economia chinesa.

A China, por outro lado, está respondendo às ameaças norte americanas e não pretende apenas aceitá-las. O embaixador de Pequim, Zhang Xiangchen, disse no dia 22 de março que o país está considerando abrir uma reclamação na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra todas as medidas impostas por Trump. O mesmo criticou as medidas e não descartou a possibilidade de uma Guerra Comercial entre as duas potências. Isto posto, o mundo está prestes a vivenciar a dita Guerra Comercial entre as duas maiores economias do mundo e tal fato pode respingar nas economias dos países que estão, direta ou indiretamente, relacionados aos mesmos, incluindo o Brasil. Agora é apenas esperar para ver quais novas medidas os EUA e a China vão tomar para conseguir sobrepor a economia do rival.

Texto de Rafaela Mascarenhas, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Junior de Economia da EESP – FGV.

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