O conflito sírio e suas implicações geopolíticas

No início de 2011, o movimento chamado de “Primavera Árabe” se iniciou. Marcado pelas grandes mobilizações populares, tinha como principal objetivo a deposição de regimes totalitários que governavam há décadas na maioria dos países do Oriente Médio e norte da África. Em março de 2011, influenciados pelo movimento, alguns alunos sírios pintaram símbolos pró-democráticos em uma escola, na cidade de Deera. Em resposta, militares torturam os jovens, gerando uma revolta popular, até então local. Após a resposta violenta do governo, pessoas tomaram as ruas por todo o país, exigindo o fim do governo de Bashar Al-Assad, que governava desde 2000. Em julho do mesmo ano, algumas pessoas pegaram em armas, originando a guerra civil que já matou mais de 350.000 pessoas.

Ao longo dos 7 anos, a guerra mudou muito. Inicialmente, grupos rebeldes de interesses diversos lutavam entre si por zonas de influência. Nesse contexto, facções como o Estado Islâmico e milícias de origem curda (grupo étnico presente em regiões da Síria, Turquia e Irâ) tomaram conta de grandes parcelas do país. Até então, nações desenvolvidas estavam atuando de forma menos ativa, impondo sanções econômicas, e condenando publicamente as ações do governo de Assad. Entretanto, no final de 2014, os EUA e outros cinco países árabes começaram uma série de ataques aéreos no país, gerando uma mudança no perfil da guerra. Com uma crescente presença dos EUA, somado com os avanços do Estado Islâmico, o governo sírio decidiu se alinhar ao governo russo, visando ajuda militar. Dessa forma, em setembro de 2015, aviões russos iniciaram ataques ao grupo terrorista, intensificando o caráter geopolítico da guerra civil.

A partir do momento que os EUA, países ocidentais, e a Rússia passaram a atuar fortemente no país, o conflito sírio mudou de figura. Agora, a guerra é uma plataforma em que as potências mundiais podem impor suas agendas político-econômicas. A Síria, nesse momento, deixou de ser uma nação em guerra civil, e passou a ser uma porta de entrada para o controle de uma região inteira. Nesse novo contexto, os EUA financiavam grupos rebeldes que lutavam contra o exército de Bashar al-Assad e contra os terroristas do ISIS. Em contrapartida, Vladimir Putin adotou uma presença militar russa muito atuante, com inúmeros ataques aéreos diários.

Recentemente, o atual presidente americano, Donald Trump, coordenou um ataque juntamente com a França e o Reino Unido. Conforme os respectivos governos, a ofensiva foi uma resposta ao uso de armas químicas, pelo governo de Assad, contra a própria população síria. Dessa forma, o novo governo revela uma postura mais agressiva que a adotado por Barack Obama. Essa nova vertente pode intensificar ainda mais o caráter geopolítico do conflito, uma vez que Trump e Putin estão envolvidos em outras questões polêmicas, como os escândalos envolvendo hackers russos e as eleições americanas. A Síria, assim, adquire uma importância muito maior no futuro das relações geopolíticas.

 

Texto de Arnon Golias, graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultor da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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