O resultado da corrida presidencial paraguaia

O Paraguai, assim como o Brasil, se encontra em meio a tempos de eleição, o que conturba o cenário político de qualquer país, em virtude da concorrência entre candidatos. A corrida presidencial se encerrou no domingo dia 22/04 quando Mario Abdo Benítez, o famoso Marito, venceu Efraín Alegre com 46,6% dos votos apurados em urnas eleitorais. O novo presidente do Paraguai é uma imagem interessante e conflituosa já que é filho do secretário de maior confiança de Alfredo Stroessner, ditador que perdurou durante 35 anos no poder do país. Assim, as perspectivas futuras para essa nação encontram-se pautadas em um modelo de continuidade e mudança, concomitantemente, pois o novo presidente pertence ao Partido Colorado, o qual está no poder durante 70 anos, e discursa sobre mudanças no modo de condução do país principalmente com relação ao sistema judiciário.

O Partido Colorado é um elemento de destaque na história do Paraguai, mantendo-se invicto nas eleições durante 61 anos. Esse Partido foi responsável pelos maiores feitos da nação paraguaia já que ficou tanto tempo representado na cabeça presidencial. Entretanto, em 2008, Fernando Lugo, do partido Frente Guasú, venceu as eleições quebrando a tradição colorada no Paraguai. Esse presidente comandou o país até 2012, quando sofreu impeachment e, logo nas eleições seguintes, o Partido Colorado volta com Horacio Cartes no poder.

Apesar do deslize tido durante esses 4 anos, o Partido Colorado ainda possui alta representatividade no Paraguai, além de ser o responsável pela inserção do modelo econômico que mais fez o país crescer ao longo dos anos, a Maquila. Esse projeto consiste em uma lei de incentivos à industrialização do país através da isenção de impostos para importar maquinários e matérias-primas, fato que atrai diversos investidores. E após a fabricação do produto, quando este é exportado, a taxa fiscal que incide sobre o produto é de apenas 1% do valor da fatura da exportação.

Ademais, o modelo econômico proporciona uma boa estabilidade com relação à taxa de inflação e finanças públicas e consegue emitir dívidas no mercado internacional a baixas taxas de juros, o que adverte um sinal de confiança para novos investidores. Assim, o Partido Colorado possui uma imagem fortemente ligada à prospecção econômica tida a partir da Maquila, e Marito dará continuidade a esse modelo econômico.

Ao mesmo tempo, o governo de Abdo Benítez possui seu caráter transformador, uma vez que ele propõe uma mudança radical no poder Judiciário. O Paraguai encontra-se listado entre os países com maior nível de corrupção, ocupando o 123° lugar, pelos dados da Transparência Internacional divulgados através do relatório anual Índice de Percepção de Corrupção (IPC). Dessa forma, Marito propõe tal reforma a fim de diminuir essa característica no país.

Além disso, o dito “filho da ditadura” discorre sobre medidas para a diminuição do desemprego, a barateação de tarifas de energia para incentivar investidores externos e a garantia do serviço de saúde para a camada mais pobre do país.

Sobre as intransigências do novo presidente, ele se mantém avesso à mudanças relacionadas ao casamento igualitário bem como a legalização do aborto visto que, assim como 96% do país, Marito é fiel aos princípios bíblicos e ao Gênesis, mesmo com a Constituição de 1992 admitindo a livre prática de qualquer tipo de religião ou crença.

Diante dos fatos apresentados, as perspectivas futuras do país apresentadas pelo vencedor da corrida presidencial, Mario Abdo Benítez, se encontram baseadas em mudanças e permanências, cabendo ao primeiro transformações relacionadas à reforma no poder judiciário, à diminuição da tarifa de energia, à garantia de saúde pública para os mais pobres e à tentativa de diminuir a taxa de desemprego. Já ao segundo, permanece o modelo econômico da Maquila, o qual vem proporcionando 4% de crescimento ao país por ano. E, devido a esse modelo, o país mantém boas taxas de inflação bem como finanças públicas em uma boa ordem. Ademais, nenhuma mudança com relação ao aborto e à definição de família serão executadas se depender do presidente.

Texto de Juliana Peronti, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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