A Guerra Comercial e o Cenário Local

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A partir de um dos discursos do governo de Donald Trump, instaurou-se a política denominada “America First”, cuja ação inicial foi a imposição de tarifas à importação dos produtos chineses para aumentar a compra de produtos nacionais, caracterizando, para os Estados Unidos, uma guerra aos produtos made in China. Como consequência, houve subsequentes retaliações, de modo a  sobretaxar os produtos do concorrente. Dessa forma, ambos os países são afetados pela guerra comercial.

Os acontecimentos da guerra comercial foram que, em março de 2018, os EUA impuseram sobretaxas ao aço e alumínio importado de vários países e anunciaram tarifas de US$ 50 bilhões sobre 1,3 mil produtos chineses, sob a alegação de que houve violação de propriedade intelectual. Em abril, como retaliação, a China tarifou em 25% 128 produtos americanos e recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas dos EUA para o aço e alumínio, o que levou Trump à colocação da hipótese de sobretaxar mais US$ 100 bilhões em produtos chineses. Em junho, os EUA começaram a sobretaxar parte dos US$ 50 bilhões em produtos chineses e China ameaçou a imposição de novas tarifas, agora sobre o petróleo bruto, gás natural e produtos de energia, ação essa que levou Trump a declaradamente considerar impor uma tarifa de 10% sobre US$ 200 bilhões em bens chineses e Pequim caracterizou a ação como chantagem e anunciou que haverá retaliação.

O objetivo dessas medidas é fortalecer a indústria nacional em prejuízo da produção importada. Esse discurso foi difundido através da alegação de Trump que há roubo de propriedade intelectual estadunidense pelos chineses a partir da compra de parte de empresas americanas por parte de empresas estatais para ter acesso aos métodos de produção e posterior reprodução autônoma dos produtos – e também por hackers – e pela afirmação do Departamento de Comércio de que o governo chinês impõe regras mais rígidas à entrada de empresas americanas no país.

Essas medidas, que já afetam as empresas, passam a afetar também os consumidores, na medida em que políticas de aumento de preços estão sendo adotadas para repassar parte do aumento das tarifas ao consumidor. Acerca dos efeitos às empresas e aos consumidores americanos, em um primeiro momento, a empresa americana Coca-Cola anunciou que terá de aumentar os preços de refrigerante em lata, dado que o preço do alumínio aumentou. Já em um segundo momento, a guerra comercial pode influenciar ainda mais o comércio, visto que, em nova rodada de tarifas de importação, os gadgets podem estar inclusos, de modo a aumentar preços de produtos de marcas americanas como Apple, Google e Amazon, que, nessa rodada, incluem, por exemplo, relógios e alto-falantes.

Portanto, ambas as potencias estão participando de uma guerra comercial na qual há perdas econômicas para si. Ainda, o impacto das decisões tomadas nesse contexto se faz presente sobre os setores sobretaxados, os consumidores desses países, o PIB desses países e, diante de um cenário de continuidade das medidas, sobre outros países e seus consumidores também.

 

Texto de Mariana Leite, graduanda em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP-FGV

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