A Lógica da Arábia Saudita em Favor da Redução da Produção de Petróleo

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Durante o ano de 2018, diversos foram os acontecimentos que preocuparam as grandes economias mundiais com relação ao possível aumento dos preços do barril de petróleo. Pode-se citar como o principal evento causador dessas especulações a probabilidade de diminuição da oferta dos barris de petróleo no mercado mundial, devido a alguns fatores principais, como: saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com Irã (5º maior produtor mundial de petróleo), e consequente imposição de sanções ao país que limitavam suas exportações de petróleo, crise humanitária na Venezuela, país detentor das maiores reservas petrolíferas, e diminuição da produção da commodity pela Líbia devido a conflitos internos.

Porém, o que se observou nos últimos dias foi um movimento contrário se comparado as projeções feitas por analistas. O West Texas Intermediate (WTI, petróleo comercializado na Bolsa de Nova York que se refere ao produto extraído principalmente na região do Golfo do México) já acumula queda de mais de 30,5% em seu preço, desde sua máxima no mês de outubro, enquanto o Brent (petróleo comercializado na Bolsa Londres, tendo como referência tanto o petróleo extraído no Mar do Norte como no Oriente Médio) cedeu em 11,92% no acumulado da semana.

Essa inversão nas expectativas do mercado pode ser justificada pela não concretização da diminuição da oferta que era esperada, fato que pode ser explicado por alguns acontecimentos, como: concessão dos EUA a alguns países como China, Japão e Turquia, permitindo a estas nações importar temporariamente petróleo do Irã, produções petrolíferas recorde atingidas por Rússia, Arábia Saudita (maior produtora mundial) e Estados Unidos, que projeta produção de mais de 12 milhões de barris por dia, principalmente em decorrência da extração do petróleo de xisto.

Além do aumento da oferta, o preço do barril também sofreu quedas em decorrência do enfraquecimento da economia global, resultante da guerra comercial entre EUA e China, e de outros conflitos geopolíticos, que podem provocar recessões e, consequentemente, diminuir a demanda por petróleo.

Em resposta as constantes quedas no preço do petróleo, a Arábia Saudita anunciou que pretende diminuir a produção da commodity aos termos acordados em reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no ano de 2016, já que o país árabe tem produzido um milhão de barris a mais por dia do que o estabelecido na data. Porém, muitos analistas se mostram descrentes a medida, uma vez que o presidente americano, Donald Trump, reafirmou seu apoio ao regime saudita mesmo após as acusações do envolvimento do governo árabe no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, e já se mostrou diversas vezes contra as políticas que visam aumentar os preços do petróleo.

Portanto, espera-se que a Arábia Saudita tome previdências que sejam benéficas para ambos os lados, uma vez que os Estados Unidos é um importante parceiro comercial, e não seria vantajoso para a economia do país árabe perder tal apoio em um cenário de fortes pressões internacionais derivadas do assassinato de Jamal Khashoggi. Para que sejam definidos os rumos a serem seguidos pelo país, a Arábia Saudita se reunirá com a Opep no dia 6 de dezembro, em Viena.

Texto de João Carlos Fraga, graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas e trainee da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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