As curvas de preço da gasolina e do etanol

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No atual contexto brasileiro, é possível identificar aumento no preço da gasolina e do etanol. Percebe-se, também, que essa variação nos preços dos combustíveis promove uma série de impactos em praticamente todos os setores da economia, de forma que o entendimento das causas desse aumento se faz relevante. Dessa forma, para compreender as variáveis que influenciam no preço da gasolina e do etanol, é necessária uma análise sobre as esferas doméstica e internacional.

É necessário entender como é calculado o preço da gasolina no Brasil, ou seja, como questões geopolíticas que ocorrem do outro lado do mundo se relacionam com a economia brasileira, e, por fim, impactam na bomba de combustível. Assim, podemos dividir esse cálculo em dois grupos: “influências internacionais” e “influências domésticas”. Inicialmente, no primeiro grupo, há, em julho de 2017, o fim de um período de preços baixos para o petróleo vendido internacionalmente: barris que antes eram vendidos por US$30,00, hoje se encontram na casa dos US$70,00. Esse fenômeno ocorreu por três fatores principais: a diminuição proposital da oferta de petróleo, liderada pela Arábia Saudita; as novas sanções impostas pelos EUA ao Irã, o sétimo maior produtor de petróleo do mundo; e a crise na Venezuela, país com as maiores reservas do globo. Ainda dentro do grupo “influências internacionais”, temos o encarecimento do dólar americano no Brasil. O dólar mais caro é decorrente de vários fatores, sendo os principais: aumento da taxa de juros nos EUA; desconfiança no mercado brasileiro, causado pela instabilidade política atual; e receio de investidores com relação a países emergentes, após a crise na Turquia e Argentina. Todas essas variáveis, em conjunto, impulsionaram os preços do barril, o que por si só tem um impacto significativo nas bombas brasileiras.

Ainda, há o grupo de “influências domésticas”, com uma série de fatores a serem considerados no cálculo. Primeiramente, temos o fim da política de subsídios realizados pela Petrobras, em julho do ano passado. Visando a combater a inflação, o governo federal – acionista majoritário da Petrobras – adotava um mecanismo de repasse parcial da variação do preço do combustível. Ou seja, a Petrobras aumentava o preço do combustível a uma taxa menor do que a variação no preço do mercado. Dessa forma, muitas vezes, a empresa brasileira vendia o combustível por um preço menor do que ela comprou, gerando um rombo orçamentário que chegou a R$75 bilhões, no fim de 2014. Assim, com o fim dessa política, os preços nas bombas subiram significativamente. Além disso, há uma carga tributária intensa, composta pelo ICMS (Estados), CIDE (União), PIS/PASESP (União) e COFINS (União), que representam 45% do preço da gasolina. Por fim, entre os fatores domésticos, é necessário destacar o monopólio das refinarias no Brasil. Mesmo com o fim do controle sobre a produção de petróleo, a Petrobras ainda detém total domínio sobre as refinarias no país. Desse modo, não há concorrência na venda de combustível nacional, o que não cria estímulos para a Petrobras não repassar 100% dos seus custos para o produto final, tornando a gasolina e o diesel ainda mais caros.

O aumento do preço do etanol, por sua vez, pode ser explicado pelo conceito de microeconomia popularmente conhecido como “oferta e demanda”. No período histórico recente, o etanol apresentou um conjunto de quedas consecutivas em seu preço, causado majoritariamente por boas safras de cana de açúcar. Essa queda fez com que o preço do etanol chegasse a representar 59% do preço da gasolina, muito menor que o valor de 70%, usualmente cobrado nas bombas. Dessa forma, com essa desvalorização, consumidores estão passando a consumir mais etanol do que gasolina, gerando um aumento recente de 0,19%.

Diante do exposto, pode-se compreender como se encontram as curvas de preço da gasolina e do etanol no Brasil atual. Ainda, compreende-se, também, os fatores de construção dessas curvas, dados os contextos doméstico e internacional, em termos diretos e indiretos.

Texto de Arnon Golias, graduando em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultor da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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