Brexit: As negociações sem fim

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O mês de julho foi marcado por eventos que agiram direta e indiretamente na saída do Reino Unido (RU) da União Europeia (EU), começando com uma crítica do presidente americano Donald Trump, dizendo que Theresa May, primeira ministra britânica, conduz de maneira fraca e terrível o Brexit.

Em 2016 ocorreu um grande e polêmico referendo, o qual trouxe algumas consequências como a denuncia do primeiro ministro e do ministro de relações exteriores. David Cameron, até então primeiro ministro, membro do partido conservador foi substituído por Theresa May, também do mesmo partido, depois do referendo, pois o mesmo renunciou. Enquanto isso, para que o brexit ocorra, as negociações entre os britânicos e a União Europeia passam, consequentemente, por uma fase de atritos e variações entre um acordo mais brando, mantendo regulamentações e acordos com a UE, ou um rompimento mais duro, que estava sendo liderado por Boris Johnson. Nesse contexto, Boris Johnson, ministro das relações exteriores britânicas, não compactuava com a maneira que que May estava conduzindo a separação da EU, dizendo que o Reino Unido adquiriria “o status de colônia” caso as políticas da primeira ministra continuassem a pautar o Brexit. Por isso, Johnson renuncia ao cargo.

Com o prazo curto de negociação para a saída da União Europeia, sendo este até o dia 29 de março de 2019, o Reino Unido teria que ter progredido suas negociações com a EU, o que não se mostra realidade já que há uma completa indecisão do parlamento britânico, entre um soft Brexit, que seria uma saída mais branda a qual seguiria as políticas da UE ou um hard Brexit, rompendo drasticamente com o bloco europeu.

Para tentar amenizar a situação, May, em seu discurso na sexta-feira 20 de julho na cidade de Belfast, capital da Irlanda do Norte, defendeu seu plano de Brexit como “um plano que funciona na prática e não apenas na teoria”, em resposta a diversas críticas feitas sobre ter abandonado os ideais do Brexit e ter se submetido as demandas da União Europeia. Ela também explicou que outras ideias teóricas favorecidas em seu partido eram igualmente irrealistas. “Nossa proposta anterior de que poderíamos alcançar um comércio sem atrito mantendo padrões regulatórios ‘substancialmente similares’ não se mostrou uma posição negociável”, disse ela. “Então, precisávamos fazer um compromisso mais forte”.

Com isso, Jeremy Hunt, o novo ministro das relações exteriores da Grã-Bretanha, viaja para a Berlim nesta semana para tentar conquistar os alemães, os mais influentes no bloco europeu, com a mensagem de que a UE tem a escolha de ser mais flexível ou sofrer um “acordo por acaso”. Como ex-secretário da saúde, Hunt demonstra-se favorável a uma saída mais sutil do bloco, diferente do que alguns outros membros do partido conservador desejariam.

Portanto, ainda há poucas previsões para o futuro do Reino Unido, podendo ser uma saída de sucesso ou desastre, sofrendo o perigo de não firmar nenhum acordo com a União Europeia, talvez negociando um prolongamento do acordo de saída para até 2020, caso não haja a finalização das negociações até o prazo oficial. Enquanto isso, a divergência de ideais segue na União Europeia e no Reino Unido, ocasionando todo esse conflito de interesses.

Texto de Arthur Sant´Anna, graduando em Direito pela Fundação Getúlio Vargas e consultor da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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