Crise cambial argentina e a impopularidade de Macri

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Desde o início do ano, o contexto político-econômico argentino se encontra incerto e preocupa investidores estrangeiros. Observa-se uma constante desvalorização do peso argentino em relação ao dólar, o que levou o banco central argentino a elevar a taxa de juros para 60% no país, a fim de evitar a saída do dólar, e também a utilizar as reservas internacionais na promoção de uma desvalorização do dólar devido ao aumento de sua oferta no país.

A crise econômica observada possui influência política, dado que as atitudes liberais do presidente argentino Maurício Macri provocaram um aumento dos preços no país, levando a população a suspeitar que o banco central argentino esteja sofrendo influência política, na medida em que ele aumentou a meta de inflação de 8% a 12% para 15%. Dentre as medidas que proporcionaram um aumento dos preços, tem-se o aumento das tarifas de serviços subsidiados por parte do presidente, como eletricidade, gás e transporte. Ademais, uma seca no início do ano trouxe um aumento no preço dos alimentos e uma redução das receitas com a exportação de grãos, o que levou o presidente a reduzir os impostos para estimular as exportações.

Com o intuito de buscar reverter tal cenário, o governo argentino pediu uma linha de crédito ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 50 bilhões, o que provocou controvérsias, já que o ministro da Fazenda Nicolás Dujovne afirmou que o país não faria mais dívidas com o FMI. Entretanto, tal atitude ajuda a manter a confiança dos investidores no país, já que indica que o FMI ainda acredita na capacidade argentina em reverter o cenário de crise observado.

Por outro lado, a impopularidade do presidente, devido a acusações de cometer crimes de corrupção ao permitir a participação de parentes de políticos sem concurso em sua gestão, aumenta a incerteza no país, o que motiva muitos investidores a deixarem de investir na Argentina. Além disso, um cenário político incerto devido às eleições que ocorrerão no ano seguinte também contribui para a redução de investimentos estrangeiros na Argentina.

Nota-se, portanto, que o governo de Macri vem adotando medidas para tentar reverter o contexto de crise econômica. Entretanto, tais medidas não restauram as condições prévias com relação aos investimentos estrangeiros. No mês de agosto, por exemplo, o peso argentino recuou 26% em relação ao dólar. Ou seja, apesar das tentativas do governo, ainda observa-se uma constante desvalorização do peso, o que leva a população argentina a comprar dólar no lugar do peso argentino.

A valorização do dólar se deve ao fato de que os Estados Unidos estão com a economia mais forte e com o consumo interno mais significativo em comparação a outros países. Ademais, o Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) relatou que qualquer crescimento econômico norte-americano pode implicar um aumento na taxa de juros, o que incentiva investidores estrangeiros a destinarem os seus investimentos para os Estados Unidos.

Em meio a todo esse cenário, a agência de classificação de risco Standard and Poor’s, observando a incapacidade do governo argentino em reverter o contexto econômico atual, ameaça rebaixar a nota de crédito argentina. Portanto, cabe a adoção de medidas mais efetivas por parte do governo para afastar a crise do país e aumentar a confiança de investidores estrangeiros.

Texto de Aisha Jinsi, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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