Dívida italiana e os impactos na relação com a União Europeia

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Depois da crise econômica que atingiu a Grécia no fim de 2009 com dívidas crescentes sem um respectivo aumento na arrecadação, agora é a vez da Itália. Atualmente, a Itália possui a terceira maior economia da zona do euro e, também a maior dívida pública. A dívida chega, hoje, a 2,3 trilhões de euros – 132% de seu PIB – ou seja, tudo que o país produz durante um ano não equivale àquilo que o governo deve.

Por mais que seja uma norma descumprida por diversos países, de acordo com as regras estabelecidas pela União Europeia no Tratado de Maastricht, a dívida pública dos membros não pode superar 60% do seu PIB. Ainda, a Comissão Europeia emitiu uma solicitação, em janeiro de 2017, para que a Itália tenha o dever de reduzir o déficit estrutural e orçamentário que enfrenta atualmente. Nesse sentido, o ministro da economia italiano, Giovanni Tria, diz estar trabalhando para cumprir com as regras determinadas pela União Europeia ao estabelecer um plano orçamentário que atingirá um déficit de 1,5%, abaixo do teto estabelecido de 3%.

Ainda que não muito provável segundo analistas do banco francês Société Générale, um dos principais objetivos do ministro da economia é o de evitar um corte na nota de crédito italiana por parte das agências de classificação de risco. Os analistas, no geral, acreditam que, por ora, a Fitch, rating soberano do país, não irá determinar um rebaixamento do rating de BBB da Itália. No entanto, as sucessivas notícias negativas que permeiam a economia italiana fazem com que essa previsão possa mudar.

No mês de maio, por exemplo, a dívida cresceu em 15,9 bilhões de euros em relação ao mês de abril devido à reavaliação dos títulos públicos lastreados em inflação e a variações nas taxas de juros. Em outras palavras, se o Estado emite títulos públicos que remuneram de acordo com a inflação ou a taxa de juros e ambas aumentam, automaticamente a quantia que o Estado terá de retornar aos compradores dos títulos será maior, contribuindo para o aumento da dívida pública.

Em suma, a Itália vive um momento de extrema instabilidade econômica e desconfiança internacional. Visando a amenizar a situação, representantes políticos e econômicos pedem votos de confiança, a partir da promessa de recuperação; no entanto, o futuro ainda é incerto.

 

Texto de Maria Clara Saviano Al Makul, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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