Eleições na Colômbia: embrião do cessar fogo?

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No segundo turno das eleições colombianas, que ocorreu no último domingo, 18, a disputa foi entre o candidato Iván Duque, vencedor, do partido uribista, que caracteriza o centro democrático colombiano e era o favorito; e o candidato de esquerda, Gustavo Petro, que faz parte do movimento  Colômbia Humana.

A série Narcos, do Netflix, ganhou muita popularidade pelo seu elenco, e claro, pelo seu enredo que demonstra o que constitui a história moderna da Colômbia, que é a emergência do narcotráfico como atividade econômica e política. O país tem como traço constitutivo socioeconômico o cultivo de coca, que é uma atividade que ocorre desde períodos pré-colonização. Desde 1974, quem faz o cultivo e refino clandestino são os cartéis, tendo suas atividades iniciadas pelo Cartel de Medellín, do qual fazia parte Pablo Escobar, e outros como Cali e norte Del Valle.

A partir de 1990, ocorreu uma associação entre grupos guerrilheiros, como as FARC e o ELN, que foram aumentando suas atividades subversivas, e os cartéis. A economia da droga financiou e financia grupos paramilitares para desestabilizar a atuação do Estado, impor suas próprias leis e, acima de tudo, desrespeitando os direitos humanos. O fato é que diversos governos da Colômbia lidaram de maneiras diferentes com essa questão complexa: uns tentaram negociar com os narcotraficantes, e outros usaram o aparato estatal, muitas vezes com auxílio dos Estados Unidos, para reprimirem as atividades dos “narcos”.

Mas o que essa eleição de domingo trouxe de diferente é que durante o voto do 1º turno, o ELN interrompeu suas atividades militares e anunciaram, na segunda-feira, 11, que para o 2º turno também interromperão suas atividades do dia 15 ao 19, para facilitar a participação dos colombianos na atividade democrática. Essa é a última guerrilha em atividade na Colômbia, principalmente após o acordo de paz do governo com as FARC.

Líderes do ELN enxergam os dois candidatos como possíveis conciliadores nacionais, e que independente do resultado das eleições, a Colômbia sai ganhando com a consolidação de uma força política alternativa que promova o cumprimento da paz e da democratização. A guerrilha está em negociação em Cuba com o governo colombiano, e frente o histórico completamente caótico do país, é possível ter otimismo com o seu futuro cenário político. Muitos analistas consideram um cessar fogo definitivo como realidade, e a maneira como o governo colombiano lidou com o narcotráfico e a guerrilha, nos últimos anos, como possível fonte de inspiração para outros países que busquem resolver problemas parecidos com os quais a Colômbia teve de lidar, ao longo de sua história moderna.

Texto de Gabriel Locci, graduando em Direito pela Fundação Getúlio Vargas e consultor da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

 

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