EUA: O guia da economia do Brasil

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Nesses últimos meses, o Federal Reserve, banco central dos EUA, tratou de aumentos na taxa de juros americana. Em março, passou de 1,5% para 1,75%, e recentemente, em junho, para 2%. O Fed prevê mais quatro aumentos durante o ano de 2018, o que acarretará em consequências para os países emergentes, incluindo o Brasil.

A priori, é necessário afirmar o porquê dessa subida de juros. A taxa de desemprego dos Estados Unidos está a níveis baixíssimos, sendo em torno de 3,9%, o que indica o pleno emprego. Essa situação cria pressões inflacionárias, pois a maioria dos cidadãos americanos estão com salários regulares, então podem injetá-los no consumo. Se todo dinheiro for injetado no consumo, a inflação do país consequentemente sobe, pois, na maioria das vezes, a indústria não está preparada para receber toda essa demanda, o que acaba por pressionar os preços – lei da oferta e da demanda, com muita demanda e pouca oferta, o preço sobe. E, para controlar essa posição, o Fed aumenta as taxas de juros, pois tenta desviar o capital do consumo para as aplicações em títulos da dívida pública, uma vez que com taxas mais altas, aumenta a atratividade destes.

Como resultado do aumento das taxas de juros americanas, diversas consequências são atribuídas para o Brasil.

Primeiramente ocorre a retirada de investimentos do Brasil. Com os  juros americana em níveis mais altos, os Estados Unidos se tornam a primeira opção de investimento, já que apresenta um risco baixíssimo de default, ou seja, a probabilidade de o país não pagar as dívidas é muito baixo, principalmente pelo fato de os EUA serem os responsáveis pela emissão de dólares bem como por possuírem o maior PIB do mundo. Assim, o mercado de juros americano atrai grandes investimentos, também pelo fato de que o custo do capital próprio se torna maior, isto é, o quanto uma empresa tem que dar de retorno para seu acionista visto que agora a empresa tem um rendimento do governo maior para ser superado, portanto o custo do capital próprio é maior.

Além dessa colocação, o custo de oportunidade do brasil aumenta em meio ao aumento das taxas de juros americanas. Por definição, o custo de oportunidade é o produto que você deixou de comprar por ter comprado outro, então basicamente seria a renúncia de qualquer outro produto que poderia ter sido comprado com o mesmo dinheiro. Assim, com as taxas de juros americanas maiores, é mais atrativo investir nos EUA, pois entre Brasil e EUA, calculando com uma taxa sem risco, a americana é mais segura, e agora teve os seus rendimentos aumentados. Assim, o custo de oportunidade do Brasil aumenta, pois se a opção fosse comprar um título da dívida pública do brasil, o custo de oportunidade desse negócio é o título americano, mais seguro e o qual teve rendimentos elevados, por isso esse custo aumenta.

Logo, os dólares de investidores externos no Brasil se voltam para os Estados Unidos, e com essa retirada, a oferta de dólares no país diminui, o que faz com que o real se desvalorize, pois a demanda permanece constante e o dólar se apreciou. Por isso, o dólar atualmente está aumentando.

Diante disso, com o dólar valorizado, o preço do produto final encarece. Geralmente, as matérias-primas são medidas em dólar para uma melhor dinâmica do comércio internacional. Assim, se o dólar aumenta, o preço do insumo em reais estará mais caro do que o normal. Com o preço da matéria-prima mais alto, o produto final se eleva, e o consumidor brasileiro é o mais afetado, pois gera insatisfações no momento da compra do produto. E, esse consumidor, na maioria das vezes, não entende o motivo da elevação de preços e culpa o fornecedor do produto.

Em contrapartida das importações diminuírem em quantidade, as exportações são beneficiadas. Como os produtos exportados são de origem brasileira, sua moeda é o real, mas eles são vendidos no comércio internacional, então eles são precificados em dólar. Assim, quando é feita a conversão o preço do produto em dólar fica muito atrativo, o que acaba por beneficiar as exportações, fazendo com que aumentem.

Em conclusão, o aumento das taxas da economia norte americana acarretará diversas consequências para a economia brasileira, principalmente a alta do dólar vivida atualmente e o aumento do preço dos produtos finais, pois já que o dólar é a moeda internacional tudo acontece por causa dele. Assim, os EUA se tornam o guia de qualquer economia, incluindo do Brasil.

 

Texto de Juliana Peronti, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

One Comment on “EUA: O guia da economia do Brasil”

  1. Fiquei feliz com as explicações na materia, me serviu muito e vou indicar com certeza. Quero aprender mais sobre isso porque gosto demais e passo muito tempo no dia a dia pesquisando o assunto. Quero agradecer e seguir seu site. Gratidão!

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