Global: O FED e a Economia Global

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No dia 19 de dezembro, o Federal Reserve (FED), banco central dos Estados Unidos, decidiu elevar as taxas de juros do patamar de 2%-2,25% para 2,25%-2,5%, marcando o quarto e último aumento de 2018. Em meio a incertezas com relação ao crescimento econômico nos próximos anos e ao declínio dos mercados de ações,  a mudança  marca o 9° aumento desde o início da normalização das taxas no final de 2015.

Contrário à decisão, o Presidente Donald Trump tem duramente criticado as atuações do FED, uma vez que, em sua visão, as ações do banco central norte-americano estão mitigando os ganhos nos mercados de ações. No início desse ano, Trump celebrava os recordes de performance das bolsas de valores, que atualmente seguem baixas consecutivas. Apesar das pressões, o FED é uma organização independente do governo que não responde por exigências do governo.

Ainda, o FED diminuiu as expectativas de altas nos juros para 2019. De acordo com os oficiais, espera-se mais duas altas para o ano seguinte. Ademais, o FED reconhece uma desaceleração ainda mais acentuada quando comparada as últimas estimativas na economia para 2019 de 2,5% para 2,3%. Sobre a inflação, o banco central também diminuiu suas expectativas de 2% para 1,9%.

As consequências dos aumentos refletem não só na economia interna dos Estados Unidos mas também em todo o mundo. Com maiores taxas, há um maior fluxo de capitais para a potência americana e menor fluxo para outros mercados. Nesse sentido, há uma fortificação do dólar frente outras moedas, processo ainda mais agravado diante das turbulências globais na Argentina, na Turquia e na guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que impulsionam a volatilidade cambial. Nesse cenário de risco, a opção mais segura para os investidores são os próprios títulos americanos, considerados os de menor risco do mercado.

Portanto, a desvalorização das moedas e a saída de capitais de países emergentes e desenvolvidos para os Estados Unidos é a tendência que continuará a permear o cenário global enquanto o FED continuar a escalada nas taxas. Nesse sentido, os mercados emergentes se encontram em uma situação de instabilidade com relação aos investimentos estrangeiros e dívidas contraídas em dólar que poderão tornar-se insustentáveis para o desenvolvimento econômico.

 

Texto de Bruno Tanese, graduando em Economia pela Fundação Getúlio Vargas e trainee da Consultoria Júnior de Economia da FGV.

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