Guerra comercial entre China e EUA e suas consequências para o Brasil

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A relação entre China e Estados Unidos, as duas maiores economias do mundo, se acirraram nos últimos tempos, e prometem uma guerra comercial capaz de abalar fortemente a economia mundial. Em seu mandato, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, introduziu um projeto chamado “America First” (América em primeiro lugar) que tem como objetivo proteger e privilegiar a indústria do país em detrimento das estrangeiras. Dessa forma, um de seus grandes desafios é acabar com a famosa indústria do “Made in China” e, para isso, passou a aumentar tarifas de importação.

Em seu projeto protecionista, Trump começou impondo uma taxa de 25% sobre a importação de aço e de alumínio ao mundo todo, e, ainda, em relação à China, chegou a ameaçar durante as eleições que aumentaria para 30% a taxa cobrada a todos os produtos chineses. Ademais, o americano acusa a China de roubo de propriedade intelectual e, por esse motivo, aumentou os impostos cobrados sobre produtos de tecnologia. Em resposta, o governo chinês também sobretaxou em 25% centenas de produtos americanos. Essas e outras medidas caracterizam uma guerra comercial que se instalou entre os dois países com alto potencial de destruição mundial.

No que diz respeito ao Brasil, ainda que algumas exportações possam ser beneficiadas por conta da sobretaxa nos EUA ou na China, no geral, o país é mais um dentre tantos que sairão perdendo com essa disputa comercial. O protecionismo americano somado ao abalo causado pela guerra diminuirão o crescimento econômico mundial o que resultará na baixa da demanda por commodities, algo que não se mostra favorável a uma país majoritariamente exportador de matéria-prima e produtos básicos.

O cenário brasileiro ainda se mostra desfavorável mesmo para aqueles que veem o estabelecimento de um acordo entre China e EUA. Acredita-se que o acordo envolveria o aumento das exportações americanas para o setor agro chinês o que resultaria em um grande abalo para a Aliança Agro Ásia-Brasil e o Brasil passaria a exportar menos produtos agrícolas à China.

Essas previsões, no entanto, são incertas e podem ser alteradas nos próximos dias uma vez que a guerra só começou e não mostra sinais de melhora, muito menos de estabelecimento de acordos comerciais. Muito pelo contrário, Donald Trump chegou a anunciar que, em caso de retaliação por parte da China, ele imporia novas taxas sobre o adversário. De qualquer maneira, o cenário não se mostra favorável aos brasileiros, mas as reais consequências ainda são imprevisíveis.

Texto de Maria Clara Saviano Al Makul, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP-FGV.

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