O abrandamento da inflação no mês de julho

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A inflação se define como o aumento persistente e generalizado dos preços de uma gama de produtos; aumento esse que, para o consumidor, representa a queda no poder de compra. Historicamente, a inflação sofreu alterações que levaram ao ápice atingido em março do ano de 1990, no fim do governo do presidente José Sarney (1985 – 1990), em que a inflação chegou a 84,3%, o recorde histórico até os dias atuais. Em outras palavras, o cenário econômico passava por uma fase de instabilidade, que foi corrigida posteriormente no governo de Fernando Henrique Cardoso, e segue passando por mudanças.

Nos dias de hoje, a inflação é menos volátil; no entanto, suas oscilações, mesmo que menores, não deixam de impactar a economia. No mês de maio, uma crise foi instaurada no Brasil devido à greve dos caminhoneiros autônomos, cuja extensão foi nacional e que contou com uma paralisação do principal meio de transporte para o abastecimento do mercado. Os reflexos da greve, no mês de junho, envolveram uma inflação de 1,11%, a maior alta para o mês desde o ano de 1995. No mês de julho, todavia, para os analistas ouvidos pela agência Bloomberg, que esperavam uma inflação de 0,73%, a expectativa foi quebrada com uma desaceleração para 0,64%, informada pelo IBGE com o abrandamento dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros.

Ao analisar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de junho, pode-se afirmar que houve queda nos setores de alimentação, cuja porcentagem dada pelo índice foi de 1,57% em junho para 0,61% em julho; no setor de transportes, que foi de 1,95% em junho para 0,79% em julho; por fim, a área de saúde e cuidados pessoais também sofreu uma queda significativa de 0,63%. Entretanto, a inflação das esferas de habitação e despesas pessoais passaram por altas.

De maneira geral, a inflação do mês de julho vem sofrendo quedas e até o fechamento do mês pode ainda sofrer outros decréscimos. Ainda assim, as variações não são demasiadamente expressivas e o país ainda há de esperar até superar por completo os efeitos da paralisação dos caminhoneiros.

 

Texto de Maria Clara Saviano Al Makul, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP-FGV.

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