O reencontro de velhos inimigos

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A relação conturbada entre os Estado Unidos e a República Popular Democrática da Coreia não data de hoje. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1945, os Estados Unidos foram um dos principais protagonistas na separação entre as Coréias. Desde então, os americanos não pouparam esforços em aplicar sanções econômicas à capital norte-coreana, Pyongyang.

Dando continuidade, a inimizade entre os dois países se acentuou ainda mais na década de 1990, com a ampliação do programa nuclear por parte da Coreia do Norte. Houveram suspeitas de fabricação de armas nucleares de destruição em massa e os americanos chegaram a considerar bombardear as instalações onde o armamento era desenvolvido.

Meio ao cenário explosivo, Donald Trump aceitou o inesperado convite do líder coreano Kim Jong-un para um encontro no dia 12 de junho em Cingapura. O anúncio de Trump ocorreu apenas momentos depois de receber três americanos que estavam presos na Coreia do Norte. Ademais, o líder coreano propôs a desnuclearização do país e a descontinuação dos testes com armas nucleares, objeto de muita tensão na região da Ásia.

O encontro foi visto com bons olhos mundialmente, uma vez que, além de representar um grande ato de pacificação, é também de interesse de diversos países. Para os Estados Unidos, o presidente Trump conquistou o estabelecimento de um processo de paz considerado impossível por muitos americanos. Favorece também países como a China, Coreia do Sul e Japão, pois, com a quebra da expectativa mundial por uma “3˚ Guerra Mundial” entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a Ásia não tem seu desenvolvimento afetado. Por fim, o restabelecimento da relação ainda deixa a imagem de Kim Jong-un como a de um líder poderoso, estrategista, mas, acima de tudo, confiante pelo fato de declarar ter construído mísseis capazes de atingir o solo americano.

O acordo ainda está sendo conversado entre os dois países envolvidos, porém, desde já, representa um grande passo rumo à paz entre inimigos tão antigos e acende a esperança de fim das tensões entre Coreia do Norte e Estados Unidos.

 

Texto de Maria Clara Saviano Al Makul, graduanda em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e consultora na Consultoria Júnior de Economia da EESP-FGV

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