Os Impactos da Alta do Petróleo para o Brasil

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No dia 24 de setembro, o preço do barril de petróleo Brent, extraído no Mar do Norte e negociado na bolsa de Londres, atingiu sua maior cotação desde 2014. Contrariando as pressões do governo de Donald Trump, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) se negou a aumentar sua produção, agitando o mercado da commodity. Em decorrência disso, o preço ultrapassou a marca de U$80,00 por barril.

Hoje o petróleo está cotado a U$72,89 e sem perspectivas de queda diante do confronto político entre Estados Unidos e Irã; o Brasil sofre consequências na economia, enquanto lida com uma alta que reforça o problema crônico da economia brasileira da falta de um sistema de amortecimento do impacto da flutuação do preço das commodities na economia.

A primeira dessas consequências é refletida na inflação. Uma vez que a locomoção de carga é majoritariamente feita no modal rodoviário, o frete se revela intimamente ligado ao preço dos combustíveis, que por sua vez reflete o preço do petróleo. Dessa forma, o alto preço da commodity eleva os custos de transporte, facilmente repassados para os consumidores, e causam aumento no preço de alimentos e em diversos outros bens de consumo, a exemplo a própria gasolina.

Outro efeito ocorre sobre as exportações. Ainda como fruto da predominância do transporte rodoviário, a alta do petróleo é responsável por inflar o preço de outras commodities, como soja, carne bovina e minerais. Assim, com preços menos competitivos no mercado externo, há uma redução na demanda, criando entraves para o crescimento dos principais setores de uma economia pouco diversificada e muito dependente da venda de matéria-prima no exterior.

Apesar disso, a alta do preço traz consequências favoráveis, em especial, para a Petrobrás. Com maior liberdade no controle de preços da gasolina desde o governo Temer, a estatal obteve maiores lucros, permitindo a existência de um processo de recuperação da empresa em meio à recente crise. Ainda, empresa se beneficia do cenário como exportadora de petróleo, já que o preço, hoje, incentiva o aumento a produção e os investimentos com relação a criação de novas plataformas de extração.

Portanto, apesar de ponderado pelo crescimento do setor petrolífero brasileiro, a alta dos preços do petróleo evidencia problemas estruturais na economia brasileira, que, estritamente dependente do transporte rodoviário e da exportação de matéria-prima, sofre com a variação não só do preço do petróleo, mas também de grande maioria das commodities.

 

Texto de Bruno Tanese Baruch, graduando em Economia pela Fundação Getúlio Vargas e trainee da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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