Os impactos da inflação americana na economia brasileira

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Na contemporaneidade, as economias dos países influenciam umas às outras dentro de um mundo quase que inteiramente globalizado. Nesse contexto, oscilações nos indicadores econômicos de uma nação podem promover impactos significativos em diversas outras sociedades. Esse efeito, por sua vez, é ampliado quando tais oscilações ocorrem dentro da economia dos Estados Unidos da América, potência econômica e militar. Dessa forma, para os brasileiros poderem analisar as variações que ocorrem no país norte-americano, e também compreender como funciona essa relação econômica entre os dois países, a interpretação desses dados econômicos se faz necessária. Entre os indicadores mais influentes a serem estudados, a inflação é um dos mais importantes, uma vez que sua variação determina o comportamento de outras variáveis econômicas relevantes.

Inicialmente, é necessário saber qual a situação atual da inflação americana, e quais fatores determinaram esse resultado. No dia 12 de julho, o U.S. Labor Department anunciou que o índice de inflação anual está em 2,9%, apresentando um constante crescimento em todo o ano de 2018, que começou com 2,1%. Destaca-se também que a meta do Federal Reserve, banco central americano, é um índice de inflação anual entre 2%. Esse comportamento, por sua vez, possui inúmeras origens, entre elas o aumento de impostos sobre produtos importados, postura adotada pelo governo Trump com o intuito de tornar a indústria americana mais competitiva, juntamente com a desvalorização do dólar em vários mercados internacionais, e com um aumento no preço da gasolina, causado pela saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã.

Dado esse cenário, é possível agora iniciar uma análise dos impactos da variação da inflação americana na economia brasileira, que se encontra, atualmente, instável. Com um governo central marcado pela corrupção e pelo desbalanço fiscal gigantesco, as instituições do Brasil não passam segurança aos investidores, tanto internacionais quanto domésticos, e é nesse exato aspecto que se encontra a relação entre a inflação americana e a economia brasileira. Dado a todos os fatores citados no parágrafo acima, a inflação americana está aumentando. Dessa forma, o banco central promove um aumento gradual do juro, no sentido de combater esse aumento inflacionário, prática essa comumente utilizada por diversos governos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Esse aumento na taxa de juros, por sua vez, torna os títulos públicos emitidos pelo governo americano mais vantajosos, uma vez que eles pagam melhor para as pessoas que os adquirirem. Isso gera um movimento de saída de capital do Brasil para os EUA, uma vez que os investidores preferem comprar títulos americanos que pagam melhor e que são assegurados por um governo economicamente mais estável que o brasileiro.

Essa emigração de capital promove uma série de efeitos na economia brasileira. Inicialmente, há uma queda de arrecadação por parte do governo brasileiro, uma vez que as pessoas preferem comprar títulos do governo americano. Em segundo lugar, há uma queda na atividade do mercado financeiro brasileiro, dado a diminuição nos valores transacionados. Por fim, há uma valorização da moeda americana no país, pois uma remessa grande de dólares saíram do Brasil em direção ao exterior. Essa valorização cambial promove um aumento de vários produtos cuja fabricação está indexada ao dólar, seja por que possui produtos importados em sua composição, seja por que uma parte ou sua completa fabricação é feita fora do país.

Assim, pode-se compreender o comportamento da inflação americana, e seus impactos na economia brasileira.  Esses impactos podem ser identificados pelos fluxos de capital que se alteram de acordo com variações no contexto em questão.

 

Texto de Arnon Golias, graduando em Economia pela Fundação Getúlio Vargas e consultor da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

 

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