Queda na projeção do PIB brasileiro

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Anualmente, o Banco Central faz projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Na projeção, para 2019, o caso brasileiro foi alvo de redução de expectativas de crescimento, passando de 2,6% para 1,6%. Esse fato se justifica por uma deterioração das condições financeiras,  por uma menor confiança e pelo desaquecimento da economia brasileira.

A deterioração das condições financeiras se firmou a partir da greve dos caminhoneiros, do aumento do dólar e de uma guerra comercial entre potências. A greve dos caminhoneiros impactou a situação de modo a dificultar que fosse compreendido o comportamento da economia e de modo a reduzir a atividade econômica e aumentar a inflação em um primeiro momento. Já a alta do dólar gera aumento de preços em alguns setores da economia e, em certa medida, desestimula o consumo. A guerra comercial, por sua vez, influencia o PIB com os aumentos de tarifa por parte dos Estados Unidos e com retrações no PIB mundial em decorrência de ações e retaliações dos envolvidos. Portanto, o contexto de condições financeiras abaladas desestimula o consumo e afeta o PIB brasileiro.

A confiança de empresas e consumidores está menor devido a uma deterioração das condições financeiras e ao cenário político conturbado e incerto. As condições financeiras refletem a confiança de empresas e consumidores na medida em que a dinâmica de investimento se altera; no caso, trata-se de um contexto de menor confiança e menos investimentos no país. Além disso, o cenário político causa incerteza dada a transição política e a existência de um novo governo. Dessa forma, as empresas e os consumidores, dado o cenário atual, com menor confiança, contribuem para uma nova conformação da dinâmica de investimentos no país.

O desaquecimento da economia é expresso, principalmente, pela recuperação mais gradual do que a esperada pelas projeções. Com isso, há redução no ritmo de crescimento dos rendimentos e da população ocupada, o que se reflete no consumo das famílias, que passa a crescer menos. Sendo assim, a busca por bens e serviços ocorre em menores fluxos, o que ocasiona queda no PIB.

Assim, o Banco Central se embasa nos contextos interno e externo para emitir projeções acerca do PIB do ano de 2019. Para isso, os fatores de condições financeiras, a confiança tanto de empresas quando de consumidores e o desaquecimento da economia foram analisados e mensurados, levando em conta as ocorrências do período atual que terão consequências ainda em 2019.

Texto de Mariana Leite, graduanda em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e consultora da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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