Reflexos no dólar após ataque a Jair Bolsonaro

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Na última quinta-feira, após o ataque ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) por criminoso fanático de esquerda e ex-filiado do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), Ademir Bispo de Oliveira, houve um aumento expressivo no Índice da Bolsa de Valores Brasileira (Ibovespa) de cerca de 1,76%, terminando em 76.416 pontos, enquanto o dólar caiu 1,40%, fechando em R$ 4,08. Isso demonstra uma resposta quanto ao ataque, ficando, a princípio, confuso se Bolsonaro na presidência é algo desejável ou não, na perspectiva do mercado.

Os números das intenções de voto após atentado contra o candidato do PSL, de acordo com a pesquisa feita pela FSB/BTG Pactual, foram divulgados na última segunda-feira (10), já com mais de uma semana após o início do horário eleitoral. Os resultados foram extremamente positivos ao candidato, passando de 26% para 30% das intenções de voto. Enquanto isso, Ciro Gomes (PDT) aparece em segundo lugar com 12%, e Marina Silva (REDE), Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) ficam na terceira posição com 8%.

Outro grupo de analistas, da XP Política, avaliou que Bolsonaro tem chance de reconfigurar sua campanha da forma que quiser, sendo que o candidato será o principal tópico da mídia nos próximos dias. A sua situação de saúde pautará o ritmo de “ataque” das campanhas dos outros candidatos, dizem os analistas da XP Política: “A visão é que ficou mais difícil para seus adversários disputarem as eleições contra ele em termos simbólicos e táticos.”

Pode-se perceber que se Jair Bolsonaro não é o candidato preferido do mercado financeiro, tendo este cargo o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, em quem é depositada a crença de que tenha o maior comprometimento para fazer as reformas consideradas necessárias para a retomada da economia. Contudo, o candidato do PSL aparece como uma opção do mercado sob os candidatos mais à esquerda, como Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (REDE) e Fernando Haddad (PT).

Por outro lado, segundo pesquisa Datafolha, Bolsonaro não possui um cenário tão favorável. Na pesquisa, também divulgada nesta segunda-feira (10), foram projetados nove diferentes cenários para o segundo turno, variando entre os cinco principais candidatos já citados acima. Em quatro dos cinco cenários, segundo a pesquisa, Bolsonaro perde, se disputa com Ciro Gomes, Alckmin e Marina Silva, empatando apenas com Fernando Haddad.

O que se pode esperar, portanto, nas próximas semanas, é uma grande volatilidade no mercado, com cenários mais instáveis, caso os candidatos mais à esquerda, tendo propostas contra as reformas no estado e na economia, demonstrem maior consolidação nas pesquisas de intenção de voto e mais estabilidade aos candidatos mais propensos às reformas.

 

Texto de Arthur Sant´Anna, graduando em Escola de Direito pela Fundação Getúlio Vargas e consultor da Consultoria Júnior de Economia da EESP – FGV.

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